Receba nosso FEED gratuitamente em seu e-mail:

Delivered by FeedBurner

 

No dia 1º de novembro de 1849 os bávaros foram tomados de surpresa por uma novidade introduzida nos guichês de correio do reino em que viviam: antes que os funcionários postais recebessem as suas cartas para enviá-las aos respectivos destinatários, era necessário comprar um pedacinho de papel, de forma quadrada e fixá-lo sobre o envelope.

(Impresso postado, em 20/11, em Kempten, na Baviera, dirigido a Obergunzburg, também na Baviera.)

Desta forma estava lançado o primeiro selo postal na Alemanha. Os súditos do rei da Bavária podiam escolher entre três variações:
✅ o selo preto de um cruzado, retratado na chamada desta postagem (Kreuzer),

✅ o azul de três cruzados ou

✅ o marrom, de seis cruzados.

(Série da Alemanha Oriental homenagendo os 100 anos das primeira emissão da Bavária)

A história de sucesso dos selos postais começou, como sabemos, com o Penny Black.

Foi na Inglaterra, com a reforma de Sir Rowland Hill que se teve a ideia, muito simples mas revolucionária, segundo a qual o remetente é que está interessado no envio da carta e é, portanto, quem deve pagar pelo transporte postal. Isso ocorreu, naturalmente, numa época em que o setor dos correios já estava, de certa forma, organizado.
Podia-se confiar no sistema, era certo que a carta chegaria, mas era preciso uma espécie de recibo, comprovando o pagamento do serviço. Esse recibo tinha de estar bem visível na carta. Chegou-se, então, à ideia de colar um pequeno pedaço de papel no envelope, a fim de que fosse carimbado, inutilizando-o para novo uso postal. Em outras palavras o selo perdia o valor assim que utilizado uma vez. Com isso, o serviço estava efetivamente pago.
A época dos primeiros selos alemães foi também uma época peculiar e marcada por muitas tensões. A Revolução Industrial estava transformando rapidamente toda a Europa. Negociantes, industriais e cidadãos comuns produziam um volume crescente de correspondência que precisava ser transportada. A introdução dos selos foi uma parte da modernização: as cartas começaram a chegar muito mais rapidamente aos seus destinatários, pois o transporte já tinha sido pago previamente.
A Alemanha, no entanto, estava dividida num grande número de pequenos principados, reinos, ducados e cidades hanseáticas. Em cada um dos pequenos estados circulava uma moeda própria e havia também uma organização própria dos seus correios. Um a um, todos seguiram o exemplo da Baviera e também introduziram seus próprios selos postais.

Vejamos, na sequência uma tabela em que vemos como a novidade, ao longo dos anos, disseminou-se rapidamente por toda a Alemanha:

1.º de julho de 1850 Saxônia
15 de novembro de 1850 Prússia
15 de novembro de 1850 Schleswig-Holstein
1.º de dezembro de 1850 Reino de Hanover
1.º de maio de 1851 Grã ducado de Baden
15 de outubro de 1851 Reino de Württenberg
1.º de janeiro de 1852 Brunswick
5 de janeiro de 1852 Grã ducado de Oldenburg
29 de janeiro de 1852 Thurn & Taxis, Norte e Sul
10 de abril de 1855 Bremen
1.º de julho de 1856 Mecklenburg-Schwerin
1.º de janeiro de 1859 Hamburg
1.º de janeiro de 1859 Lübeck
1.º de novembro de 1861 Bergdorf
1.º de março de 1864 Ducado de Holstein
10 de março de 1864 Ducado de Schleswig
1.º de outubro de 1864 Mecklenburg-Strelitz
1.º de janeiro de 1868 Confederação da Alemanha do Norte

 

A título de exemplo, acima podemos ver  a primeira emissão da Saxônia, denominada Sachsen-Dreier, dos quais foram impressos um contingente de meio milhão de exemplares.

A Prússia, por sua vez, também fez sua emissão postal, como também podemos ver acima, mas introduziu uma novidade, segundo Frank Walter, ex-presidente da Associação de Filatelistas de Berlim:

“A Baviera e a Saxônia haviam produzido selos bonitos, com muitos ornamentos para dificultar a sua falsificação, onde estava impresso o número 1 ou, no selo de três cruzados, o número 3. Tudo tinha uma aparência muito bonita. Mas logo se teve a ideia de que as estampilhas também podiam ser usadas como instrumento de propaganda. Imprimiu-se nelas, então, a efígie do chefe de Estado ou símbolos estatais, brasões e coisas semelhantes”.

Entretanto, com todas essas novas emissões, ficou regulamentado o tráfego postal apenas dentro das fronteiras de cada um dos pequenos estados alemães. Continuava sendo um processo extremamente complicado o envio de uma carta de Hamburgo para Hannover ou de Munique para Stuttgart:

“Por exemplo, no sul da Alemanha, foi dada a concessão para o tráfego postal à família dos príncipes von Thurn und Taxis, que até hoje goza de isenção das tarifas postais. Posteriormente, desenvolveu-se também um chamado Distrito Postal no norte da Alemanha, através das fronteiras, pois os estados chegaram à conclusão de que era necessário fazer uma padronização”.

Antes de concluir a presente postagem, foram impressos um total de 832 mil exemplares do primeiro selo postal alemão, o “preto de um cruzado” da Baviera (o selo que ilustra a chamada desta postagem). Deles, ainda devem existir cerca de trinta mil exemplares. Dependendo do grau de preservação, tamanho de margens, seu valor pode chegar a soma de 50 mil euros.
Existem muitas histórias sobre os primórdios do uso das selos postais na Baviera. Afirma-se, por exemplo, que quando se tinha de pagar três cruzados por uma carta e só havia selo de seis cruzados à mão, os funcionários do correio simplesmente dividiam o selo em diagonal, bissetado. Segundo ainda Frank Walter, tal história não tem nenhum fundamento: as administrações de correio na Alemanha jamais permitiram que os selos fossem cortados.
O filatelista só conhece uma única exceção, do ano de 1901, em alto-mar:

“Só houve na Alemanha um único caso de improvisação, a bordo de um cruzador, o Vineta, onde os selos estavam acabando e não se recebeu a tempo a remessa de Berlim. Aí, os selos foram realmente cortados pela metade, na vertical, utilizando-se apenas a metade da estampilha”.

Conhecendo o autor:
Mantenedor do Portal do Filatelista Temático
CARLOS DALMIRO SILVA SOARES é atuante filatelista temático (hobby que desenvolve desde a infância), jornalista filatélico, jurado FEBRAF, palestrante filatélico, bem como, coordenador da comissão para juventude da Federação Brasileira de Filatelia (FEBRAF), representando o país nas correlatas existentes na FIAF e na FIP. Coleciona os seguintes temas: petróleo, energia nuclear, terremoto, Lenim, Centauros e Orixás.

All rights reserved.

In case of using any material, a reference to "Topical Philately" is mandatory!

The stamp designs themselves are properties of the respective countries' postal agencies, as well as, all other trademarks and copyrights on this page are property of their respective owners.

Topical Philately é uma página não comercial e não oficial de divulgação da Filatelia Temática. É uma página aberta à filatelia no mundo. Este espaço também é seu. Colabore.


Topical Philately is a non commercial and non official home page to publish the Topical Philately. It is an international home page opened to the philately. This coin is also yours. We expect your collaboration.


Topical Philately est une page non commerciale et non officielle pour montrer la philatélie thématique. Elle est aussi une page ouverte à la philatélie internationale. Cet espace est aussi à vous. Nous attendons votre collaboration.

(c) Home page da Topical Philately – Divulgado na Rede a partir 01/VIII/2008.

(c) Petroleum: The Black Gold – Divulgado na Rede a partir 05/X/1996

(c) Nuclear Energy – Divulgado na Rede a partir 05/X/2007

(c) Earthquake – Divulgado na Rede a partir 21/IX/2009

(c) For Teacher  – Divulgado na Rede a partir 04/I/2011

(c) Bee – Divulgado na Rede a partir 22/IV/2012

(c) Lenin – Divulgado na Rede a partir 06/VI/2012

(c) Centauro – Divulgado na Rede a partir 17/IV/2013

(c) Filatelia Juvenil – Divulgado na Rede a partir 21/II/2014

(c) Matriusca – Divulgado na Rede a partir 08/IX/2015

Nov 17, 2019
>> Leia mais no Portal do Filatelista Temático <<
Nov 17, 2019
>> Leia mais no Portal do Filatelista Temático <<
Nov 16, 2019
>> Leia mais no Portal do Filatelista Temático <<
×
Mantenedor do Portal do Filatelista Temático
CARLOS DALMIRO SILVA SOARES é atuante filatelista temático (hobby que desenvolve desde a infância), jornalista filatélico, jurado FEBRAF, palestrante filatélico, bem como, coordenador da comissão para juventude da Federação Brasileira de Filatelia (FEBRAF), representando o país nas correlatas existentes na FIAF e na FIP. Coleciona os seguintes temas: petróleo, energia nuclear, terremoto, Lenim, Centauros e Orixás.

Esse artigo foi útil?

Obrigado Seu feedback ajuda-nos a melhor os serviços do Portal do Filatelista Temático!