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Segundo Flávia Teixeira Ortega crime de ódio (do inglês hate crime):

“… é uma forma de violência direcionada a um determinado grupo social com características específicas, ou seja, o agressor escolhe suas vítimas de acordo com seus preconceitos e, orientado por estes, coloca-se de maneira hostil contra um particular modo de ser e agir típico de um conjunto de pessoas.”

Um estudo recente da Universidade da Califórnia, cuja íntegra deve ser publicada em dezembro de 2018, analisa a relação entre esse tipo de agressão e o discurso depreciativo feito por líderes políticos sobre um grupo social definido.

Como exemplo, desta prática, podemos citar as vítimas do racismo, homofobia, xenofobia, etnocentrismo, islamofobia, intolerância religiosa e preconceito com deficientes.

O autor do levantamento, Brian Levin, diretor do Centro para Estudo do Ódio e Extremismo da universidade californiana, tem se dedicado a abrir os dados do FBI para analisar picos de violência. Um deles foi o dia seguinte ao da eleição de Donald Trump. Houve 17 crimes de ódio no dia da disputa presidencial e 44 no dia seguinte.
Segundo ainda Levin:

“Aparentemente, declarações públicas amplamente divulgadas e relacionadas a eventos – como ataques terroristas – estão correlacionadas à direção em que os crimes de ódio tomam, de aumento ou queda”

Eventos como um ataque terrorista, a exemplo da queda das torres gêmeas do World Trade Center em 11 de setembro de 2001, provocam o aumento dos ataques contra um grupo. No caso, o alvo foram os muçulmanos. Segundo a pesquisa, o discurso dos líderes políticos sobre o caso pode ter influência na reação da sociedade.

Levin cita dois momentos diferentes analisados. No primeiro, o presidente republicano George W. Bush fez um discurso pregando a tolerância aos americanos seis dias após a queda das Torres Gêmeas. Naquele momento o Bush falou:

“Americanos muçulmanos precisam ser tratados com respeito”.

Segundo a pesquisa, nos dias subsequentes à fala de Bush os crimes de ódio contra muçulmanos passaram a cair.
Em sentido oposto, o pesquisador analisou a reação a um discurso de Trump em 2015 – quando ele almejava a indicação do Partido Republicano para concorrer à presidência. Cinco dias após o ataque em San Bernardino, Califórnia, que matou 14 pessoas, Trump pediu a “rejeição em massa” e o “fechamento total” do país à entrada de muçulmanos.
Entre janeiro e dezembro de 2015, a média de crimes de ódio contra muçulmanos era menor do que 1 por dia. Nos cinco dias após o ataque na Califórnia, a média cresceu para 2,8 por dia. Mas, nas duas semanas seguintes, incluindo o período do discurso de Trump, o índice subiu para 3,25 – um aumento de cerca de 385% na comparação com o restante do ano. “Quanto mais isolamos o período após o discurso, vemos como o índice fica maior”, afirma Levin.

Em 2017, já na presidência, Trump anunciou a decisão de barrar a entrada de refugiados de sete países de maioria muçulmana, o que desencadeou uma longa discussão judicial.

Nos anos de eleição nacional aumenta o número de crimes de ódio, diz o pesquisador. Mas há uma particularidade sobre o mês da eleição de Trump: foi o pior novembro da década e o mês com mais ataques desde o primeiro aniversário dos ataques do 11 de Setembro. Em setembro de 2002, o total de crimes de ódio foi de 767. Depois disso, o pior mês foi o da eleição de Trump: 758 ocorrências.

(Carimbo Comemorativo(

De 2008 a 2014, o total de crimes de ódio compilados pelo FBI caiu ano após ano, indo de mais de 7,7 mil ocorrências para 5,4 mil. Em 2015, o número subiu para 5,8 mil e, em 2016, para 6.121. Os dados de 2017 serão divulgados em novembro, mas o centro de pesquisa sobre o tema coletou dados das dez maiores cidades dos EUA. A conclusão é que de 2016 para 2017 houve um aumento de 12,5% nessas regiões. Ou seja, a tendência de alta se mantém.
O especialista destaca que, normalmente, os picos de violência tinham foco em um grupo – como no caso do 11 de Setembro e ataques a muçulmanos. Agora, segundo ele, há uma dispersão desse tipo de agressão entre diversos setores da sociedade. Os picos de intolerância próximos à eleição também foram acompanhados de discurso de ódio na internet, diz o pesquisador.
O caso mais emblemático foi o ataque em Charlottesville em agosto de 2017. Supremacistas brancos e simpatizantes do neonazismo fizeram uma manifestação na cidade. Um ato contrário ao grupo foi atacado por um motorista que jogou o carro contra o grupo e matou uma mulher.

Na época, Trump disse que havia “muito ódio e violência” em “ambos os lados”. Foi fortemente criticado.
Maribel Hastings, diretora da instituição America’s Voice em Espanhol, associação voltada para defesa dos interesses dos imigrantes, disse:

“O que um candidato ou presidente diz tem sérias consequências no mundo real. Quando Trump foi eleito presidente, foi quase como ‘oficializar’ o preconceito. Sem dúvida, deu carta branca aos setores preconceituosos e racistas de nossa sociedade para atacar, seja por palavra ou ação, aqueles que se consideram inferiores a eles”.

Ela lembra que Trump chegou a associar, durante campanha, as taxas de criminalidade no países com a entrada de imigrantes latinos.
A America’s Voice fez um mapa para documentar delitos de ódio pelo país registrados no dia a dia desde a campanha. O mapa incluiu também agressões e discursos preconceituosos feitos por autoridades ou apoiadores de Trump. Foi registrada, por exemplo, a demissão de dois policiais depois de agredirem um homem de origem latina e o chamarem de “americano falso” em New Orleans, em julho.
Afirmou Hastings também que:

“Como candidato, Trump usou sua campanha para atiçar a violência contra a imprensa, seus opositores e os imigrantes. No caso de Trump, não se trata só de retórica, mas de políticas públicas que afetaram os imigrantes e outras minorias”

O instituto de pesquisa Pew Research conduziu uma pesquisa com americanos muçulmanos em 2017 para saber como se sentiam com relação ao recém-eleito governo Trump. A maioria (68%) disse se sentir preocupada. Entre as mulheres muçulmanas, a porcentagem foi de 76%. “Muitos de nós não nos sentimos seguros aqui, Trump pinta um quadro ruim sobre os muçulmanos”, disse uma mulher com menos de 30 anos ouvida pelos pesquisadores.

(Matéria adaptada e reformatada a partir de https://luizmuller.com/2018/10/21/estudo-liga-crimes-de-odio-a-discurso-de-lideres-politicos/)

Conhecendo o autor:
Mantenedor do Portal do Filatelista Temático
CARLOS DALMIRO SILVA SOARES é atuante filatelista temático (hobby pelo qual é apaixonado desde a infância), jurado FEBRAF, palestrante filatélico, bem como, coordenador da comissão para juventude da Federação Brasileira de Filatelia (FEBRAF), representando o país nas correlatas existentes na FIAF e na FIP. Coleciona os seguintes temas: petróleo, energia nuclear, terremoto, Lenim, Centauros e Orixás.

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